ontem me considerei
um grande poeta:
fiz uma obra prima
utilizando como linha
as rimas do teu corpo
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
FINAL ENIGMA
FINAL ENIGMA
então você vê?
sou um alguém confinado
ao mistério de almas outras
uma esfinge em pele de menino
- dizes agora: homem –
já nasci devorando quem
não conseguiu decifrar-me
então não vê
que mesmo sem querer
o que eu gosto em você
é a facilidade com que acaba
com meus mistérios
faz minha rima parecer boba
a poesia não preenche
não basta e não muda
porque me amas no claro
já não me escondo no escuro
não preciso ser cego
tenho o quê?
tenho alguém.
eu quero olhar.
então me parece
que
vês?
o cego sou eu?
ou quem não enxerga é você?
e a dificuldade de largar
os ciúmes do passado
e abrir os olhos para o
futuro e para o presente
mesmo!
por que não?
todos me entendem
ou eu acho que todos
são você?
e você é o meu ‘todos’
entende
vê?
transformei-te
em alguém que me decifra
e meu difícil enigma
não foi para você
- nem de longe –
uma quebra de paradigma
e é por isso
meu amor
que
sua presença
me inspira.
então você vê?
sou um alguém confinado
ao mistério de almas outras
uma esfinge em pele de menino
- dizes agora: homem –
já nasci devorando quem
não conseguiu decifrar-me
então não vê
que mesmo sem querer
o que eu gosto em você
é a facilidade com que acaba
com meus mistérios
faz minha rima parecer boba
a poesia não preenche
não basta e não muda
porque me amas no claro
já não me escondo no escuro
não preciso ser cego
tenho o quê?
tenho alguém.
eu quero olhar.
então me parece
que
vês?
o cego sou eu?
ou quem não enxerga é você?
e a dificuldade de largar
os ciúmes do passado
e abrir os olhos para o
futuro e para o presente
mesmo!
por que não?
todos me entendem
ou eu acho que todos
são você?
e você é o meu ‘todos’
entende
vê?
transformei-te
em alguém que me decifra
e meu difícil enigma
não foi para você
- nem de longe –
uma quebra de paradigma
e é por isso
meu amor
que
sua presença
me inspira.
31/12/2011
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
INÉDITO
INÉDITO
é mágica
sua química
de mudar a composição
de minha rima
é mágica
minha nova sina
de te ter no centro
das minhas linhas
é rápida
a poesia
já que o tempo
que destinava
às despedidas
hoje é
medida que perco
e encontro
quando beijo
o amor
que modificou
minha vida
é mágica
sua química
de mudar a composição
de minha rima
é mágica
minha nova sina
de te ter no centro
das minhas linhas
é rápida
a poesia
já que o tempo
que destinava
às despedidas
hoje é
medida que perco
e encontro
quando beijo
o amor
que modificou
minha vida
15/12/2011
sábado, 22 de outubro de 2011
URGÊNCIA
URGÊNCIA (II)
é preciso lembrar
que necessito
te envolver
que preciso
te enlaçar
que é urgente
te abraçar
é preciso dizer
que eu quero
me afogar
nesse fogo novo
que purifica
o sentido do amar
é preciso confessar
que quero me entregar
mesmo com medo
de outra vez
de outra vez
de outra vez
me machucar
mas de uma coisa
tenha certeza:
passou essa
inútil estranheza
e já não tenho receio
de encontrar
por acaso
a felicidade
porque
você veio há pouco
mas já está comigo
há muito.
é preciso lembrar
que necessito
te envolver
que preciso
te enlaçar
que é urgente
te abraçar
é preciso dizer
que eu quero
me afogar
nesse fogo novo
que purifica
o sentido do amar
é preciso confessar
que quero me entregar
mesmo com medo
de outra vez
de outra vez
de outra vez
me machucar
mas de uma coisa
tenha certeza:
passou essa
inútil estranheza
e já não tenho receio
de encontrar
por acaso
a felicidade
porque
você veio há pouco
mas já está comigo
há muito.
22/10/2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
I
I
se mesmo falando que
estava fechado por inteiro
e se mesmo no meio
dos dias loucos que correm
eu de novo quero ser
o derradeiro
e se de repente eu me vejo assim
com a poesia na ponta do dedo
percebo que ainda ter tempo
para pensar e lembrar e sorrir
é sinal
que
felizmente
(o coração
adora contrariar a mente)
eu não me perdi
de mim.
se mesmo falando que
estava fechado por inteiro
e se mesmo no meio
dos dias loucos que correm
eu de novo quero ser
o derradeiro
e se de repente eu me vejo assim
com a poesia na ponta do dedo
percebo que ainda ter tempo
para pensar e lembrar e sorrir
é sinal
que
felizmente
(o coração
adora contrariar a mente)
eu não me perdi
de mim.
13/10/2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
DE NOITE
DE NOITE
aqui perto
existe um
saxofonista
que transforma
minhas tardes
minhas noites
minha vida
e traduz
minhas loucuras
em bonita melodia
ontem ele
estava tocando
um jazz lento e triste
hoje ele
percorre notas
alegres e contagiantes
eu
fechei os olhos
e suspirei bem fundo
e
o jazz me acompanhou
profundo
- desconfio que ele também consiga ouvir minha solidão.
aqui perto
existe um
saxofonista
que transforma
minhas tardes
minhas noites
minha vida
e traduz
minhas loucuras
em bonita melodia
ontem ele
estava tocando
um jazz lento e triste
hoje ele
percorre notas
alegres e contagiantes
eu
fechei os olhos
e suspirei bem fundo
e
o jazz me acompanhou
profundo
- desconfio que ele também consiga ouvir minha solidão.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
AUTORRETRATO AOS 18 ANOS
sim sofro ao ouvir o silêncio
sou volúvel e volátil mas detesto o ruído o barulho
por não encontrar ninguém essa incrível incapacidade
que possa me decantar de não calar
corro Daquele Outro Amor vivo procurando
mas não sei viver fora a forma de libertinar
do Seu Olhar a santidade escancarada nas veias
sim sim
existem os gritos há a absurda falta
as risadas e os meus amigos que tudo
mas também me faz
o claustro fechado e me deixa assim
escondido pelo sorriso cansado efusivo
melancólico
triste
sim há a busca incessante
estou incompleto por algo invisível
nasci incompleto por algo firme
sou por-acabar algo que eu possa me agarrar
sim
quem me forma
ainda não chegou
e meu eterno vício
é o de todas as noites
perguntar:
e você?
será que vai chegar?
não
não compreendo o meu lugar
mas algo me diz
profundo
que minha vida será
amar
amar
amar
sim sofro ao ouvir o silêncio
sou volúvel e volátil mas detesto o ruído o barulho
por não encontrar ninguém essa incrível incapacidade
que possa me decantar de não calar
corro Daquele Outro Amor vivo procurando
mas não sei viver fora a forma de libertinar
do Seu Olhar a santidade escancarada nas veias
sim sim
existem os gritos há a absurda falta
as risadas e os meus amigos que tudo
mas também me faz
o claustro fechado e me deixa assim
escondido pelo sorriso cansado efusivo
melancólico
triste
sim há a busca incessante
estou incompleto por algo invisível
nasci incompleto por algo firme
sou por-acabar algo que eu possa me agarrar
sim
quem me forma
ainda não chegou
e meu eterno vício
é o de todas as noites
perguntar:
e você?
será que vai chegar?
não
não compreendo o meu lugar
mas algo me diz
profundo
que minha vida será
amar
amar
amar
terça-feira, 6 de setembro de 2011
GÊNESIS
GÊNESIS
no princípio
era eu
vagando em cima
das águas
depois veio você
tempestade solar
e mudou o mundo
com teu olhar
no meio
éramos nós
fogo e água
fincados na terra
sedentos por ar
para enfim
no fim
ser só eu
vagando com medo
de naufragar
no princípio
era eu
vagando em cima
das águas
depois veio você
tempestade solar
e mudou o mundo
com teu olhar
no meio
éramos nós
fogo e água
fincados na terra
sedentos por ar
para enfim
no fim
ser só eu
vagando com medo
de naufragar
terça-feira, 23 de agosto de 2011
EMBARAÇADO
EMBARAÇADO
existem épocas que eu fico assim
acho que me perdi de mim
e choro o estorvo do meu leite derramado
e fico procurando algo que possa me distrair
existem épocas que eu fico assim
acho que a poesia desistiu de mim
e grito minhas perguntas a qualquer estranho
que aparece e me oferece um sorriso:
você viu minha alma por aí?
existem épocas que não me parecem certas
quando foi mesmo que eu me perdi?
quando foi que me transformei em cidadão de Atenas
e fiquei sem admirar suas melenas e me transformei
num Narciso que perdeu o gosto e a qualidade?
existem épocas que contesto meu nascimento
digo digo que tudo é puro tormento
enceno um drama e dou vazão à um invisível sofrimento
crio mil novos sentimentos e acabo afirmando vencimento:
quando nasci o céu estava de férias
ou realmente o meu anjo safado se esqueceu de mim?
existem épocas que eu viro uma Geni
e acho que tá todo mundo contra mim
suspiro vítima corro algoz mudo no ato
fico falho (mas não estático) e não acho
um bom conselho: viro de lado e encontro
meu desatino:
a poesia fugiu
e o mundo parece tão estranho
sem samba e sem dança
por que a tatuagem que fiz
de tanto amar
está cheia de mancha
nos bastidores da minha vida
existem dias que eu me lembro
com exatidão de quando você
me disse não
e compreendo que foi então
que minha poesia virou uma vitrine
construída na imaginação
podemos acabar não sendo
amantes futuros
e eu posso continuar
sendo inseguro
mas eu te juro!
acabou de vez o meu luto
agora e para sempre
meu bem
o que se diz
é
o
que
se
sente.
(poema vencedor da categoria sênior da XX Festa Literária do Gregor Mendel - 2011)
existem épocas que eu fico assim
acho que me perdi de mim
e choro o estorvo do meu leite derramado
e fico procurando algo que possa me distrair
existem épocas que eu fico assim
acho que a poesia desistiu de mim
e grito minhas perguntas a qualquer estranho
que aparece e me oferece um sorriso:
você viu minha alma por aí?
existem épocas que não me parecem certas
quando foi mesmo que eu me perdi?
quando foi que me transformei em cidadão de Atenas
e fiquei sem admirar suas melenas e me transformei
num Narciso que perdeu o gosto e a qualidade?
existem épocas que contesto meu nascimento
digo digo que tudo é puro tormento
enceno um drama e dou vazão à um invisível sofrimento
crio mil novos sentimentos e acabo afirmando vencimento:
quando nasci o céu estava de férias
ou realmente o meu anjo safado se esqueceu de mim?
existem épocas que eu viro uma Geni
e acho que tá todo mundo contra mim
suspiro vítima corro algoz mudo no ato
fico falho (mas não estático) e não acho
um bom conselho: viro de lado e encontro
meu desatino:
a poesia fugiu
e o mundo parece tão estranho
sem samba e sem dança
por que a tatuagem que fiz
de tanto amar
está cheia de mancha
nos bastidores da minha vida
existem dias que eu me lembro
com exatidão de quando você
me disse não
e compreendo que foi então
que minha poesia virou uma vitrine
construída na imaginação
podemos acabar não sendo
amantes futuros
e eu posso continuar
sendo inseguro
mas eu te juro!
acabou de vez o meu luto
agora e para sempre
meu bem
o que se diz
é
o
que
se
sente.
(poema vencedor da categoria sênior da XX Festa Literária do Gregor Mendel - 2011)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
POEMA DE TARDE ALGUMA
POEMA DE TARDE ALGUMA
escrevo olhando
para o vento do entardecer
meu anoitecer se liberta nas
asas de uma canção
as entranhas do meu coração
se contorcem feito pássaros
recentemente libertos
e por isso a poesia
se perde entre os meandros
de nenhum rio que me torna
não-árido
não-seco
úmido.
escrevo ouvindo
o cheiro do pão de algum lugar
e aguardando o sacolejar de
uma voz nas voltas do esvoaçante
presente tão ausente do aguardar
e por isso não há como
descodificar a presente codificação
essa gloriosa comunicação entre dois mundos:
o meu de lá
o meu de cá.
no fim
eu sei o que quero dizer
e sei do que quero me livrar
mas fico até com medo de estar sendo dramático
tenho uma familiar tendência ao teatro que não vem de agora
(se bem me lembro o sangue dos salamaleques ensaiados ou não é herança dominante dos meus sobrenomes)
não há nada
para lamentar
justamente porque nada há.
escrevo olhando para
o morrer fingido do sol
e ouço o lamento sentido
de alguém:
se a ideia da poesia
é me esvaziar
então por que
eu só fico mais cheio
de nada?
escrevo olhando
para o vento do entardecer
meu anoitecer se liberta nas
asas de uma canção
as entranhas do meu coração
se contorcem feito pássaros
recentemente libertos
e por isso a poesia
se perde entre os meandros
de nenhum rio que me torna
não-árido
não-seco
úmido.
escrevo ouvindo
o cheiro do pão de algum lugar
e aguardando o sacolejar de
uma voz nas voltas do esvoaçante
presente tão ausente do aguardar
e por isso não há como
descodificar a presente codificação
essa gloriosa comunicação entre dois mundos:
o meu de lá
o meu de cá.
no fim
eu sei o que quero dizer
e sei do que quero me livrar
mas fico até com medo de estar sendo dramático
tenho uma familiar tendência ao teatro que não vem de agora
(se bem me lembro o sangue dos salamaleques ensaiados ou não é herança dominante dos meus sobrenomes)
não há nada
para lamentar
justamente porque nada há.
escrevo olhando para
o morrer fingido do sol
e ouço o lamento sentido
de alguém:
se a ideia da poesia
é me esvaziar
então por que
eu só fico mais cheio
de nada?
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