- guia de um ordinário vernáculo -


domingo, 12 de dezembro de 2010

MINHA CANTIGA DE SAUDADES

MINHA CANTIGA DE SAUDADES

A periódica melancolia chegou...
Talvez tarde demais, sim,
meio atrasada demais, assim,
ela anda meio ocupada
dominando tantos corações por aí...

A nostalgia chegou...
Talvez cedo demais, sim,
talvez forte demais, assim,
ela anda meio preocupada
em conquistar esse coração aqui...

A saudade virá, sim.
Virá e já veio me amar,
e de um jeito todo especial
me fará chorar pela falta
dos amigos e dos amores
que durante esse ano
me deixaram assim

feliz, feliz,
sim.


12/12/2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

V

V

Estou cansado,
estou desinteressado
de ser explícito,
de ser político,
de ser correto com você.

Acho graça.
Acho graça no jeito que você
acredita que não sente.

Acho graça no jeito que você
nega o que não deveria sentir,
mas sente.

Como é fácil fingir
(para não sofrer).
Como é fácil ignorar
(para não sentir).

Acho graça,
meu bem,
mas estou cansado
de esperar que você
perceba
o que deve ser percebido urgentemente.

Estou cansado,
estou desinteressado,
mas veja...

eu ainda estou apaixonado...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

IV

IV

Eu arquejo, sinto falta de ar,
uma doida vontade de gritar,
eu arquejo, dou uma volta,
volto já,
eu só queria brincar.

Eu arquejo, sinto falta de ar,
onde está você, vem me
acalmar,
eu anseio,
vem me abraçar,
me dá a mão, menina,
vem se apaixonar.

Eu arquejo,
grito a presença do ar,
é simples, querida,
é hora de tentar?
é hora de parar?

Sinto saudades, menina,
do que nunca vivemos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MEUS SUSSURROS

MEUS SUSSURROS

Hoje eu poderia até cantar.
E te gritar que me dê uma chance,
que me deixe gostar sem medo,
sem muitos desesperos,
sem precisar das aflições,
sem precisar das correções...

Eu poderia te gritar que
você fala coisas mais complicadas
que a mais confusa Esfinge,
que os enigmas que você começa
a propor ao meu coração me deixam
atarantado,
atrapalhado,
desordenado,
até meio apaixonado.

Mas eu te grito, meu bem,
que gosto de ser pequeno
quando estou com você,
que gosto de estar perdido
nesse labirinto
onde te acho a cada vez que me perco
e que fico feliz por poder gritar
(beijar)
que esse não é o último poema...

Esse é o terceiro de muitos...!


16/11/2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

VENTANIA

VENTANIA

Fechei os olhos
(profundo).
Caminhei
(soturno).

Me joguei
(bêbado).

E o vento uivante continua a me levar
para longe do fundo do meu abismo.

04/11/2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

UM ALENTO

UM ALENTO

Ensinam aos pequenos que
as pessoas que morrem
viram estrelas.

Boa metáfora,
que esconde uma verdade
simples, calma, serena:

mães não morrem,
mães nos apertam no peito
(mesmo de longe)
e sorriem quando aprendemos
a andar sozinhos na vida.

Sua mãe soltou a sua mão
(talvez cedo demais?...),
mas torce para que você
aprenda a caminhar...

Aquela metáfora é linda, amigo,
mas revela-se falha:
mães não viram estrelas...

Mães são sóis,
são a expansão do universo infinito
que confundindo-se em milhões de constelações
de luz,

amam
distantes,
com amor maior.


14/10/2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

SONOLÊNCIA II

SONOLÊNCIA

Meu mundo,
dentro de tudo,
te espera,
quem quer que sejas,
quando quer que venhas.

Minha vida
é consumida
pela poesia,
entre minhas idas
ela se sente
dividida,
entretida pelo canto
das divas.

Que poema chato,
nem tenho o que escrever,
mas não percebes que morro
de vontade que te ter?

Mentira, que mentira,
eu estou é com sono e
minha palavra não diz nada:
tenho até medo de chamar e você não vir.

Prazer,
meu nome é loucura.

- Prazer, Loucura.
Agora fecha os olhos e dorme.
Ela não virá.
Não agora.
Dorme...




11/10/2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

E EU SINTO SAUDADES

E EU SINTO SAUDADES

Meu pai chegou e falou: “não se esconda”,
e então eu sorri, não me escondo, sinto
sei lá o que vindo de sei lá onde,
um sorriso e algumas certezas.

Fujo do amor inocente despido, nu simplesmente,
dos olhos que me perguntam muitas coisas que
não quero responder.

Corro, os olhos me seguem, não me acorrentam.
Corro, Ele me olha, me espera, minha rebeldia
sente imensas saudades do seu abraço e do seu
silêncio.

Crer.
Crer é a benção (ou a maldição) que me persegue.
Creio sem muitas escolhas.
Não quero crer, não tenho escolhas.
Creio.

Meu pai chegou e falou: “não se esconda”.
Não me escondo, pai:

Ele me vê.


01/10/2010

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DOMINE, AD QUEM IBIMUS?

DOMINE, AD QUEM IBIMUS?

Criança, criança minha!
Não se desesperes: tudo acabou!
O momento que tanto temias chegou!

Criança, criança minha!
Alegre-se!
Tudo começou, tudo acabou,
tudo se revelou, a verdade se desnudou!

Criança, porque choras?
A traição é o passatempo do leão...

Não chores, não temas,
foram anunciados os temores
guardados por tanto tempo no
teu coração...

Criança, criança minha!
Não chores se houve decepção...
O seu coração está limpo da corrupção,
a hipocrisia alheia não te pertence,
não fique preso ao chão.

Sei da dor,
sei da dor,
criança
minha,
mas não se afaste
do que é verdadeiro...

Sei, eu sei,
criança minha,
que pouca verdade há:
o joio é numeroso,
mas as trombetas estão esperando
o dia e a hora para tocarem...

Quem não te ouve,
quem te calunia,
quem não ouve meus avisos
de parusia,
esqueceu-se do início, criança minha...

O bom tempo, o bom combate,
o santo resgate, a melhor parte...
Eu não estou dormindo...

Por isso,
não temas,
não temas,
criança minha...

Afinal,
a verdade
te
liberta...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

HAVE FUN

HAVE FUN

Bom te ver, menina!
Bom te ver, querida!

Gosto de olhar seus medos,
seus desafios e receios,
seu (des)embaraço
em vencê-los...

Bom viver, menina!
Bom é ver, querida!

Ver que a casca se quebra,
a liberdade liberta,
o desejo desperta,
a felicidade te inquieta...

Bom é viver, querida!
Bom é ser, menina...

Bom é tentar (te) entender,
bom é saber (te) entender,
amiga,
bom é (te) fazer se entender,
te fazer pensar...

Vai ser você mesma,
sem desesperos...

Have fun, querida...
Viva la vida, Bellinha!

01/07/2010