- guia de um ordinário vernáculo -


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

eu hoje pra sempre

Um homem sentado num banco de praça. As pessoas passam e nem olham. Mal sabem que estão perdendo um lindo espetáculo. E um espetáculo doloroso. O homem se levanta e muda de banco. Ele é uma peça de teatro. Ele é puro drama, é drama fino, drama de qualidade. Ele é uma peça de teatro. E as pessoas passam e nem olham.
Um coração esmagado num banco de praça. E um homem sentado olhando as pessoas que passam e não olham. Elas passam. E ele olha. Ele busca alguma coisa para se distrair. Ele precisa encher a cabeça com outras coisas. Agora ele olha para os carros que passam na avenida. Os carros passam e não olham para o drama que está sendo representado naquele homem silencioso. O homem-silêncio não deixa escapar um gemido. Antes ele sofria em cima dos telhados, ele gritava. Agora ele chora, ele chora manso, ele chora bem baixinho. Agora ele sabe que as coisas devem ser feitas bem devagar. A vida é breve e ele pede aos deuses que habitam o céu a e terra alguma consolação.
O homem sentado num banco de praça sofre de uma forma nova. Ele tenta pensar em outras coisas, ele pensa em outras coisas, mas quando ele lembra ele fala ai! Ele fala ai! porque dói. Dói tanto que faz até uma lágrima rolar e mais uma e mais uma e ninguém pode consolar. Amor é uma dor, é uma dor horrível. Como seria bom deixar de viver!
O homem sentado num banco de praça sou eu. As pessoas passam e nem olham. E eu dou graças a Deus por isso. Essa dor é minha, essa dor me fará crescer, essa dor me fará. Me fará. O quê? Sei lá. Só sei que ela me fará.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ESTRANHA CORRESPONDÊNCIA III

Esse conto começou em 26 de março de 2008 (http://caras-palidas.blogspot.com/2008/03/estranha-correspondncia.html), continuou em 26/07/2008 (http://caras-palidas.blogspot.com/2008/07/estranha-correspondncia-ii.html) e agora volta a ter uma sequência.
E então, ele precisava de uma resposta dela. A escritora Ticiana Kilpp a escreveu: http://leavingontheline.blogspot.com/2010/02/resposta-estranha-correspondencia.html. É o fim perfeito para esse conto.



ESTRANHA CORRESPONDÊNCIA III

Docinho,

Estou muito irritado. Muito. Você não sabe o quanto. Já faz mais de um ano desde a minha última carta. E o que você fez? O que você fez? Mandou rezar missas pela minha desgraçada alma? HAHAHA! Faz-me rir, amor, faz-me rir.
Saiba que eu só deixei você em paz por tanto tempo porque tenho pena de você. Você é tão burra em achar que essas minhas cartas são meras... Falsificações. Não adianta ir à igreja, não adianta ir ao centro espírita ou ao candomblé! Meu ódioamor é maior que tudo isso.
Cada vez que você se deita na cama com um homem, eu grito. Eu grito e o inferno todo ri. O inferno todo ri de mim. Até o Poderoso Chefão já sabe que tenho uma mulher e não sou capaz de atormentá-la. Tenho uma viúva que se deita com outros e eu não faço nada! Minha reputação está sendo destruída por você, viúva patética!...
Ah, meu amorzinho, minha queridinha... Isso não vai continuar assim, não vai MESMO. Eu te dei um longo descanso, resolvi tentar te deixar em paz. Mas eu voltarei. Eu te atormentarei com sussurros de amor. Gemidos inefáveis às três horas da madrugada... Eu te enlouquecerei, eu te farei implorar pela morte. Pela morte pequena. Pelo desfalecimento em minhas mãos macabras... Amo você, amorzinho.
Enfim, aqui tudo vai muito bem. Todos os dias chegam mais pessoas. Está quase superlotadomuitocheio. Depois do terremoto no Haiti isso aqui virou um inferno! Hahaha, meu senso de humor continua intacto.

Ardo por você nesse infernal calor,

Até.




05/02/2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

pequenos

I

É uma tortura viver.
Viver sem conhecer, sem provar,
sem olhar, sem beijar,
sem viver você, só sem.
Sem ser fogo, ser tocha, ser fósforo,
Sem guardar você. Nas mãos, na mente.
Nas dobras da alma.
No meu jeito.

II

Sem cuidar de você,
sem falar com você,
sem te amar, sem gritar,
nem pensar, sem nem.

III

É uma tortura te ver
em outras pessoas e ouvir meu coração
cantando inúmeras coisas.
Ardo. Aquele ardor no coração.
Você ardia. Ardo só, vela solitária.
Ao não te ter, não tenho.
Não.

IV

Roubaram-me a noite.
É uma tortura ser.
Vou deixar de morrer vou viver para o nada
e serei infinitamente eterno.
É viver em confusão sem correr e te ter nos dedos.
Você largou o novelo e agora estou perdido
perdido no labirinto.
No limbo.
No recinto.
Sinto o vôo.
E o ar. E simplesmente
não vivo plenamente.
E ignoro.
E vivo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Querida,

Querida,

O que fazer quando o desespero começa a fazer efeito? O coração se aperta de uma forma tamanha que a dor não é imaginável, o medo torna-se constante, a saudade é delirante: uma febre sempre alta sempre alta sempre alta.
Peço, suplico, eu grito. Mas seus ouvidos estão fechados seus olhos estão fechados sua boca está fechada.

Eu peço.

Eu grito.

Eu choro.

E pergunto a você: quem lhe ordenou a ficar insensível aos clamores meus? Alma minha deságua aos teus pés e você corre dela como pessoa que corre das ondas fracas do mar que morrem na areia de uma praia, você foge.

E eu...
E eu!
E eu.

E você, uma estátua fria e sem vida.
Olha, menina. Eu te chamei de ‘petit’ muitas vezes e você se derretia. Mas quando te chamo de ‘petit’ agora você vira o rosto para o outro lado.
Olha, olha como estou.
Você é má. É a única coisa que posso concluir.
Sabe,
Eu sofro agora e você não sofre.
Daqui a pouco sofrerás e eu rirei.
Porque estou aprendendo com você a ser mau. O vilão. Estou aprendendo com você o maniqueísmo. E pronto.
Eu quase que morri,
Mas vou sorrir! (porque as horas passam e os sentimentos não são eternos)





Olha só, já estou começando a sorrir.


29/01/2010

p.s.: você ainda não entendeu que quero te apagar da minha vida?
você foi apenas um sonho ruim.
acordei.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

recado

“Você acredita em anjos?” perguntaram-me uma vez.

“Como não acreditar” – respondi – “se tenho um anjo em minha vida, que guardou meus amores por muito tempo, cuidou delicadamente do meu coração e ao perceber que tinha me curado de minha prisão de dor entendeu o fim de sua missão e para longe voou, com um sorriso e um adeus...?”


22/01/2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

SONETO DA ARDÊNCIA IDEAL

SONETO DA ARDÊNCIA IDEAL

Enlouqueci totalmente quando te reconheci
nua nos meus sonhos, nua em meus braços,
braços alados e cansados e desejosos que são arautos
do incêndio do meu corpo, ah não resisto

te tenho em meus braços ardentes, necessito
do seu corpo quente sob/sobre o meu para
me deliciar e me acalmar e você é sereia é a
minha droga é o meu vício bom, ardência

infernal e celestial, é minha salvação, a perdição
do meu corpo, você é meus gemidos e um vago
ritmo e tudo isso é amor que delira na cama

e eu grito “ – Volte pra mim!” e você sorri, somos
loucos unidos juntos e tudo vem do coração não do
corpo e então eu acordo sozinho.


19/01/2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

HISTORINHA CASEIRA

HISTORINHA CASEIRA

Bastam-se.
Amam na solidão do nada,
sem antropologia,
no caipirismo de uma vida calma,
regada à sons antigos, naturais, rurais.

Bastam-se e amam e morrem
na solidão da mata, da casa,
da sala varrida, das visitas,
do dia que sempre vem
sem grandes pompas e
sem sensível pobreza.

Se bastam, se bastam, sozinhos,
à noite se completam quando se deitam
e em volta da cama colocam o mosquiteiro,
e a vaca muge e o corpo empapado de suor
exala um cheiro de família.

Sem complexos, se completam
porque tendo uma roça só deles
encontraram a verdadeira paz.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

MAIS UM DAQUELES TEXTOS

MAIS UM DAQUELES TEXTOS

É importante salientar que não estou sentindo nada nesse momento. Muitas pessoas enchem meus olhos com frases e gritam em meus ouvidos frases e enchem meu espírito de frases, mas estou insensível. Até aquela raiva surda desapareceu, desapareceu. Só ouço essa música e sinto calor. Você viaja. Você está estática. Sua estátua de concreto fincada no meu coração começa a desmoronar. Os pedaços caem no fundo de um precipício tão grande, tão imenso, tão grande tão grande.
Minha alma é quase um piano, minha alma é quase uma expressão de surpresa e de tristeza ao ver sua ingratidão. Não sofro. Não sinto. Mas tenho algo em minhas mãos que não é o tédio: é... É alguma coisa abstrata e sem sentido que me faz acelerar a vida diante das frases que me enchem a existência.
O leão dormita à sombra da árvore e o anjo desliza nos céus tentando obter o silêncio desse louco que se denomina coração. Mortifico-me para alcançar um bom sorriso, sou um grande lutador nas apelações dessa terra, carrego com cuidado as toneladas de meu sofrimento. E agora é a hora de você dar risada. Não sofro.
Simplesmente, na iminência de ver o trem partir, quase deixo cair uma lágrima. Mas antes que você volte seu rosto para mim eu já tirei o lenço branco de meu bolso e aceno animado ao ver a sua partida definitiva e adeus... adeus.. adeus.. adeus... adeus...



a curva.
(e perco a visão de você)


11/01/2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

para ser lembrado daqui uns 50 anos.

Cami, diz:
você sempre será um quintana da vida e eu um ginsberg (:

matheus diz:
porrs, me chamou de água com açucar
mentira
QUINTANA É FODS!

Cami, diz:
eu faço a revolução, mas sou lembrada por poucos UHAIUHUDHIUSHIUAHDUIHUIASHADAHSHDIJISJDIJAJSPAJPDOAJAOPDDA

matheus diz:
HAIUHAIOUAOIAUIAHUIAUIAUIHAUI
pô
eu n fiz revolução mas expus minha alma de um jeito mais leve.
vc é mto AAAAAAAH, YOU WANT A REVOLUTION

Cami, diz:
NOWWWW
WE DONT NEED EDUCATION

matheus diz:
menos. menos

Cami, diz:
você é leveza e eu sou a ansia.

matheus diz:
oh, que bonito isso.



matheus e camila são loucos.

sábado, 2 de janeiro de 2010

CONSIDERAÇÕES FINAIS

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O silêncio que se apoderou
dos meus sentimentos tem nome:
incredulidade.

Diante de todos os olhares e
palavras tenho medo de não sei
o quê.

Um desejo infinito de ter vontade
de chorar ardentemente.

Cedo entendi muita coisa,
cedo amei demais,
cedo desejei seriedade quando a vida
me oferecia o riso,
tarde desejo rir quando me oferecem
em bandeja de prata o silêncio doloroso.

É a contagem regressiva!
O ano morreu!
E então esse louco pesar afunda na lágrima antiga de Matheus.
Os fogos brilham, é ano novo!
Nova contagem boa se inicia e deixando medos e tristezas sem base
para trás eu pulo e grito dizendo
que teu sou!


31/12/2009