EMBARAÇADO
existem épocas que eu fico assim
acho que me perdi de mim
e choro o estorvo do meu leite derramado
e fico procurando algo que possa me distrair
existem épocas que eu fico assim
acho que a poesia desistiu de mim
e grito minhas perguntas a qualquer estranho
que aparece e me oferece um sorriso:
você viu minha alma por aí?
existem épocas que não me parecem certas
quando foi mesmo que eu me perdi?
quando foi que me transformei em cidadão de Atenas
e fiquei sem admirar suas melenas e me transformei
num Narciso que perdeu o gosto e a qualidade?
existem épocas que contesto meu nascimento
digo digo que tudo é puro tormento
enceno um drama e dou vazão à um invisível sofrimento
crio mil novos sentimentos e acabo afirmando vencimento:
quando nasci o céu estava de férias
ou realmente o meu anjo safado se esqueceu de mim?
existem épocas que eu viro uma Geni
e acho que tá todo mundo contra mim
suspiro vítima corro algoz mudo no ato
fico falho (mas não estático) e não acho
um bom conselho: viro de lado e encontro
meu desatino:
a poesia fugiu
e o mundo parece tão estranho
sem samba e sem dança
por que a tatuagem que fiz
de tanto amar
está cheia de mancha
nos bastidores da minha vida
existem dias que eu me lembro
com exatidão de quando você
me disse não
e compreendo que foi então
que minha poesia virou uma vitrine
construída na imaginação
podemos acabar não sendo
amantes futuros
e eu posso continuar
sendo inseguro
mas eu te juro!
acabou de vez o meu luto
agora e para sempre
meu bem
o que se diz
é
o
que
se
sente.
(poema vencedor da categoria sênior da XX Festa Literária do Gregor Mendel - 2011)
terça-feira, 23 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
POEMA DE TARDE ALGUMA
POEMA DE TARDE ALGUMA
escrevo olhando
para o vento do entardecer
meu anoitecer se liberta nas
asas de uma canção
as entranhas do meu coração
se contorcem feito pássaros
recentemente libertos
e por isso a poesia
se perde entre os meandros
de nenhum rio que me torna
não-árido
não-seco
úmido.
escrevo ouvindo
o cheiro do pão de algum lugar
e aguardando o sacolejar de
uma voz nas voltas do esvoaçante
presente tão ausente do aguardar
e por isso não há como
descodificar a presente codificação
essa gloriosa comunicação entre dois mundos:
o meu de lá
o meu de cá.
no fim
eu sei o que quero dizer
e sei do que quero me livrar
mas fico até com medo de estar sendo dramático
tenho uma familiar tendência ao teatro que não vem de agora
(se bem me lembro o sangue dos salamaleques ensaiados ou não é herança dominante dos meus sobrenomes)
não há nada
para lamentar
justamente porque nada há.
escrevo olhando para
o morrer fingido do sol
e ouço o lamento sentido
de alguém:
se a ideia da poesia
é me esvaziar
então por que
eu só fico mais cheio
de nada?
escrevo olhando
para o vento do entardecer
meu anoitecer se liberta nas
asas de uma canção
as entranhas do meu coração
se contorcem feito pássaros
recentemente libertos
e por isso a poesia
se perde entre os meandros
de nenhum rio que me torna
não-árido
não-seco
úmido.
escrevo ouvindo
o cheiro do pão de algum lugar
e aguardando o sacolejar de
uma voz nas voltas do esvoaçante
presente tão ausente do aguardar
e por isso não há como
descodificar a presente codificação
essa gloriosa comunicação entre dois mundos:
o meu de lá
o meu de cá.
no fim
eu sei o que quero dizer
e sei do que quero me livrar
mas fico até com medo de estar sendo dramático
tenho uma familiar tendência ao teatro que não vem de agora
(se bem me lembro o sangue dos salamaleques ensaiados ou não é herança dominante dos meus sobrenomes)
não há nada
para lamentar
justamente porque nada há.
escrevo olhando para
o morrer fingido do sol
e ouço o lamento sentido
de alguém:
se a ideia da poesia
é me esvaziar
então por que
eu só fico mais cheio
de nada?
quarta-feira, 6 de julho de 2011
DE NOVO A CARA PÁLIDA
DE NOVO A CARA PÁLIDA
o não escrito
não gera grito.
o não sentido
não atrai olhares.
o silêncio imposto
me faz ser grato.
o que não se fala
as vezes se percebe.
os mesmos lugares
me induzem ao erro.
as mesmas pessoas
me conduzem ao acerto.
o tempo passado
muda a espera.
o presente poema
me reinaugura.
o novo vazio
é o que me preenche:
de novo
o que se diz
é o que se sente.
o não escrito
não gera grito.
o não sentido
não atrai olhares.
o silêncio imposto
me faz ser grato.
o que não se fala
as vezes se percebe.
os mesmos lugares
me induzem ao erro.
as mesmas pessoas
me conduzem ao acerto.
o tempo passado
muda a espera.
o presente poema
me reinaugura.
o novo vazio
é o que me preenche:
de novo
o que se diz
é o que se sente.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
SÍNTESE ou SUBLIMINAR ou NOVA FORMA MINHA DE AMAR
SÍNTESE ou SUBLIMINAR ou NOVA FORMA MINHA DE AMAR
solar tempestade
que quebrou os ares
e revirou as pedras
e que apagou as velas
e nos empurrou para
um tumulto tumular
e atingiu (em desvio de reta)
minha saudade em tratamento
e em processo de decantação
– sendo que dela
não fui nem sou
rei capitão soldado
peão –
revelou-se como
oportunidade de calmaria
e de aquietar a gritaria
de plantar adubar esquecer
meus pés no chão
surpresa surpresa
pra mim
foi me ver
guerreando com
unhas dentes dedos e palavras
escravizando minha eloquência
ingrata (nata)
para que você(s) suspire(m)
em alívio
(a elysian peace)
mas me importei?
você se importou?
quem se ligou na
loucura dessa vasta
situação tão tão tão
estranha que até os
deuses se recolhem
nas praias abandonadas
gratos por já não serem
adorados e não precisarem
trabalhar para sanar o prejuízo
que um estranho causou?
surpresa surpresa
pra mim
foi querer sua felicidade
e odiar os mares
que invadem a tranquilidade
de uma história que não
diz respeito a quartos a quintos
a uns intrusos mesquinhos...
o que é verdade
é que cheguei na
maturidade
e entendi que sou
o quebra-mar
de um sertão
que não corre
riscos
não me importo
se não mais
me lês
ou se não me
darás nunca
a resposta que
anseio
(anseio e desejo mesmo?
será que me converti de fato
à religião da Espera?)
estou bem.
sentado. esperando.
recostado.
manso.
esperando essa tempestade
de poeira baixar
o sol apagar
o teatro fechar
o impossível se completar:
dessa história
não sou
rei
capitão
soldado
ladrão
ou menino bonito
porque, meu bem,
fechei com você
meu
coração
08/06/2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
meus recados
“Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.”
Escrevo para você mil poemas e não mando nenhum. Te olhava e perfurava os seus olhos com meu desejo e meu querer, mas agora só te envolvo com o canto do olho. Interpreto e finjo efusividade, enceno felicidade.
Quero ser notado por você, quero pensar que você me olha e, sei lá, pensa no que foi no que é no que pode ser será? E quando falam algo que você ouve eu ouço e era como se eu falasse o que você não me deixa recitar no seu ouvido? Será que você entende e decifra a minha fala dita por outras línguas?
E no seu mundo, hein?
Não vou entrar explorar viajar no sentimento que eu sinto e que está como que suspenso gemendo querendo?
E eu, meu bem?
Que nunca acreditei nesses signos, olho horóscopo de jornal e sorrio quando nossos astrais imaginários se ligam se coligam se combinam e ficam lindos lado a lado: nem parecem inventados.
E a injustiça? Esse negócio que me deixa que nem um louco embrutecido. Enquanto eu penso, outro faz. Ai.
Vou me convencendo que a persistência é diferente da paciência, sendo esta maior ou igual àquela? Por quanto tempo ficarei em pé na chuva olhando para a janela do seu quarto?
Romantismo?
Não! Enterrei meu caixão de romântico e assumi o realismo dos dias que correm.
Mas essas palavras não dizem nada, especialmente nessa data, nessa hora, agora, onde nada que eu faça convencerá que talvez valha à pena se aventurar e se jogar no magma.
Eu escrevendo você: meu dia vira farra. Eu pensando em você: meu mundo nunca passa. Eu sem você: esse tempo que acaba.
terça-feira, 31 de maio de 2011
RENDIÇÃO CONSTATADA
RENDIÇÃO CONSTATADA
a total ilusão
se torna minha guia
nessas noites tão frias
em que sua nunca
sentida presença me desafia
a total desilusão
me tortura de forma
tão lenta e macia
que me faz implorar
pelo ápice pelo clímax
pelo fim dessa eterna lida
a total solidão
que me mastiga
me tira o viço
me tira o brilho
me tira a voz
e meus conhecidos gritos
me rouba do hoje
me coloca no ontem do ontem
me perde no horizonte
me deixa louco
me cospe morto
escrevo por hábito
respiro por passo marcado
sorrio por não saber
como continuar meus atos
pode ser o efeito
da dor
do frio
do desejo
e da insanidade
mas, meu amor, eu não vejo
motivo em continuar vivo
se posso morrer
de vontade
e de saudade
de você
a total ilusão
se torna minha guia
nessas noites tão frias
em que sua nunca
sentida presença me desafia
a total desilusão
me tortura de forma
tão lenta e macia
que me faz implorar
pelo ápice pelo clímax
pelo fim dessa eterna lida
a total solidão
que me mastiga
me tira o viço
me tira o brilho
me tira a voz
e meus conhecidos gritos
me rouba do hoje
me coloca no ontem do ontem
me perde no horizonte
me deixa louco
me cospe morto
escrevo por hábito
respiro por passo marcado
sorrio por não saber
como continuar meus atos
pode ser o efeito
da dor
do frio
do desejo
e da insanidade
mas, meu amor, eu não vejo
motivo em continuar vivo
se posso morrer
de vontade
e de saudade
de você
31/05/2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
TRATADO DE TEOLOGIA
TRATADO DE TEOLOGIA
a ausência que constatei
logo ao acordar
nascimento de uma vida
feita de retorcimentos
e o entendimento, a percepção
a construção de certa linha de pensamento
morto, não encontro vida após o desamor
não encontrei recompensas nem os encantos
vários, prometidos a mim por séculos de profetas
e de poetas santos que cantam desde o mais
belo dos cânticos dos cânticos
(não só os de salomão),
mas também não os procurei
alcanço e canso da iluminação
prefiro o escuro o frio a solidão
e a negação de todo o verso vegetariano
há o espírito, há os que foram carcomidos
pelo vírus inibido e falso tímido do Sem Sentido
versos que possuem a santidade com uma
invejável facilidade me saem de dentro e não
me tiram um isso da dor de morto, vê?
percebo que é real quando não consigo sorrir
percebo que é real e eterno até o fim do dia
quando não existe a vontade de escrever
mas me obrigo: minha busca minha aventura
me valida me justifica perante a corte, me ajuda
a arquivar o processo das santas dores
tribunal Daquele que aos poucos vou
compreendendo e bendizendo em voz baixa
para não assustar quem ainda não entendeu:
sou altruísta e pouco me importo com meus
companheiros de bingo grito grito venço
só encontro a paz quando não entendo
e Dele não me aparto
eu quero é ser alado
alado do seu lado
falar de forma anárquica sobre o sentido de Deus
me faz sentir um ardor de coisa nova de libertação
de certeza de excomunhão mas de uma nova e mais
pura união com Aquele que me ajuntou em mim
se ainda temo e sigo os mesmos preceitos
e defendo com o fogo os mesmos anseios
e se amo de forma firme os dogmas aceitos
me provo o mesmo com ideias novas mas antigas
me sinto fora mas me vejo dentro com uma recíproca
totalmente verdadeira
eu mesmo iniciei meu processo
de canonização
a gratificação
de captar que fuga desse presente terror
é falar e falar loucamente
não me importar e (a)teologar sobre
Aquele
Outro
Amor.
a ausência que constatei
logo ao acordar
nascimento de uma vida
feita de retorcimentos
e o entendimento, a percepção
a construção de certa linha de pensamento
morto, não encontro vida após o desamor
não encontrei recompensas nem os encantos
vários, prometidos a mim por séculos de profetas
e de poetas santos que cantam desde o mais
belo dos cânticos dos cânticos
(não só os de salomão),
mas também não os procurei
alcanço e canso da iluminação
prefiro o escuro o frio a solidão
e a negação de todo o verso vegetariano
há o espírito, há os que foram carcomidos
pelo vírus inibido e falso tímido do Sem Sentido
versos que possuem a santidade com uma
invejável facilidade me saem de dentro e não
me tiram um isso da dor de morto, vê?
percebo que é real quando não consigo sorrir
percebo que é real e eterno até o fim do dia
quando não existe a vontade de escrever
mas me obrigo: minha busca minha aventura
me valida me justifica perante a corte, me ajuda
a arquivar o processo das santas dores
tribunal Daquele que aos poucos vou
compreendendo e bendizendo em voz baixa
para não assustar quem ainda não entendeu:
sou altruísta e pouco me importo com meus
companheiros de bingo grito grito venço
só encontro a paz quando não entendo
e Dele não me aparto
eu quero é ser alado
alado do seu lado
falar de forma anárquica sobre o sentido de Deus
me faz sentir um ardor de coisa nova de libertação
de certeza de excomunhão mas de uma nova e mais
pura união com Aquele que me ajuntou em mim
se ainda temo e sigo os mesmos preceitos
e defendo com o fogo os mesmos anseios
e se amo de forma firme os dogmas aceitos
me provo o mesmo com ideias novas mas antigas
me sinto fora mas me vejo dentro com uma recíproca
totalmente verdadeira
eu mesmo iniciei meu processo
de canonização
a gratificação
de captar que fuga desse presente terror
é falar e falar loucamente
não me importar e (a)teologar sobre
Aquele
Outro
Amor.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
VELHO PAPO ou SERÁ QUE SEREI ou MEDO ou DESEJE!
VELHO PAPO ou SERÁ QUE SEREI ou MEDO ou DESEJE!
hei de ser cúmplice
dos maus tratos que
me fazes?
há muito tempo me
descobri escravo do
instante e (des)confio no
poder da poesia
hei de ser sempre o
mesmo que você enterra?
falta-me a coragem e a força
para agora travar uma luta enorme
mas continuo fogo (fátuo)
recusando-se ao inacabado
hei de continuar conflito infinito?
há o desejo e a vontade de procurar
mas o indômito medo de sua altivez
e do desprezo que você me reserva
me queda paralisado: calo
hei de ser para sempre solidão?
não, não caio nessa ilusão
mas sou todo - nesse momento -
um inútil furacão:
não destruo um centímetro de sua
incrível
(e por isso mesmo ridícula)
(falta de)
convicção
mas teimo em sonhar com
a vontade de amansar-te
de enlaçar-te de desperdiçar-te
de enfim amar-te amar-te com uma
força tão grande e surpreendente
que você
quando experimentasse
diria:
- e por que demoraste, fazedor de arte?
hei de ser cúmplice
dos maus tratos que
me fazes?
há muito tempo me
descobri escravo do
instante e (des)confio no
poder da poesia
hei de ser sempre o
mesmo que você enterra?
falta-me a coragem e a força
para agora travar uma luta enorme
mas continuo fogo (fátuo)
recusando-se ao inacabado
hei de continuar conflito infinito?
há o desejo e a vontade de procurar
mas o indômito medo de sua altivez
e do desprezo que você me reserva
me queda paralisado: calo
hei de ser para sempre solidão?
não, não caio nessa ilusão
mas sou todo - nesse momento -
um inútil furacão:
não destruo um centímetro de sua
incrível
(e por isso mesmo ridícula)
(falta de)
convicção
mas teimo em sonhar com
a vontade de amansar-te
de enlaçar-te de desperdiçar-te
de enfim amar-te amar-te com uma
força tão grande e surpreendente
que você
quando experimentasse
diria:
- e por que demoraste, fazedor de arte?
20/05/2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
REVIRA VAI E VOLTA
REVIRA VAI E VOLTA
há uma censura na minha
forma de sentir e agir o presente
cuido para que o verbo errado
não entregue o verso
que tento esconder de você
sorrio e grito
efusivo
mas continuo morto
passivo de tudo
terra improdutiva e perdida
tudo plantando nada dá
meu desejo é escrever
abertamente sobre o Não
e sobre o convencimento que
meu coração impiedoso insiste
em não acreditar:
me prendi e me joguei no mar
mas há a ditadura imposta (por mim)
que persiste em me derrotar
desminto os gestos do dia e me rendo
cativo que não consegue se revoltar
vejo a felicidade
que eu poderia ter
enlouqueço estremeço
não obedeço
a questão é que
me vejo
humano
me querendo
insano
há uma censura na minha
forma de sentir e agir o presente
cuido para que o verbo errado
não entregue o verso
que tento esconder de você
sorrio e grito
efusivo
mas continuo morto
passivo de tudo
terra improdutiva e perdida
tudo plantando nada dá
meu desejo é escrever
abertamente sobre o Não
e sobre o convencimento que
meu coração impiedoso insiste
em não acreditar:
me prendi e me joguei no mar
mas há a ditadura imposta (por mim)
que persiste em me derrotar
desminto os gestos do dia e me rendo
cativo que não consegue se revoltar
vejo a felicidade
que eu poderia ter
enlouqueço estremeço
não obedeço
a questão é que
me vejo
humano
me querendo
insano
terça-feira, 10 de maio de 2011
ROMANTISMO RENITENTE
ROMANTISMO RENITENTE
você vai ser
mais um amor
que jamais tive
e estou me esforçando
para pintar o teu retrato
e colocá-lo na vasta
galeria dos suspiros passados
devo isso ao seu amor
devo respeito a quem te tem
devo amor ao meu próprio amor
vago amor que me tenho também
renuncio
abdico
pulo as liturgias do luto
o odor sonoro e fúnebre
dos adeuses
com esse poema árido
(pateticamente
ridiculamente
renitentemente
romântico)
me despeço e ouço Bach:
não aguento mais
esperar
e
inventar
você vai ser
mais um amor
que jamais tive
e estou me esforçando
para pintar o teu retrato
e colocá-lo na vasta
galeria dos suspiros passados
devo isso ao seu amor
devo respeito a quem te tem
devo amor ao meu próprio amor
vago amor que me tenho também
renuncio
abdico
pulo as liturgias do luto
o odor sonoro e fúnebre
dos adeuses
com esse poema árido
(pateticamente
ridiculamente
renitentemente
romântico)
me despeço e ouço Bach:
não aguento mais
esperar
e
inventar
10/05/2011
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